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Proposta de Nuno Crato

deixa partidos da coligação

em maus lençóis

Os "princípios orientadores" ontem anunciados por Nuno Crato para a avaliação dos Professores são um duro golpe na relação de confiança que parecia estabelecida com a classe docente e que tantos votos valeu aos dois partidos da coligação governamental.

Apesar de - como afiançou o Ministro - as questões atinentes à avaliação do desempenho docente "estarem há muito identificadas", a proposta ontem aduzida aos sindicatos é inusitadamente genérica e ambígua, prenunciando não uma revogação ou substituição do modelo anterior, mas uma (muito) mal engendrada tentativa de perpetuar os defeitos e maleitas das heranças de Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada globalmente consideradas.

A reacção inicial da maioria dos Professores, de absoluta incredulidade e revolta, é justificada. A frustração e o sentimento de logro são, por isso, mais do que naturais. Na verdade, pretender-se-á assegurar "pior do mesmo".

O modelo existente no ensino particular, sem quotas e que foi tomado como referência, parece estranhamente ignorado.

As quotas - ao contrário do modelo ainda vigente - poderão ser alargadas a TODOS os escalões, estrangulando (ainda mais) a carreira docente, degradando-a a níveis nunca imaginados.

A obsessiva e desproporcionada carga burocrática mantém-se (com o Relatório de Autoavaliação), a que se soma o requinte do "Projecto Educativo do Professor", imposto pelo "eduquês" em tempos diabolizado mas sempre prevalecente.

A avaliação pelos pares será para manter. Agora com a inflamável nuance de ser assegurado por professores da escola ao lado.

A dimensão formativa da avaliação docente, priorizada pelos países nórdicos a que muitos recorre(ra)m para defender dislates vários nesta matéria, terá sido cuspida para as urtigas.

A pressão que parece exercida pelo novo Ministro para encerrar a negociação é credora da maior preocupação. Aliás, as suas declarações após o encontro com os sindicatos são de uma extraordinária infelicidade, mormente quando, com o propósito de justificar a manutenção das quotas, afirmou que, sem elas, "seríamos todos excelentes". Uma postura que poderá configurar um libelo populista de suspeição e desconfiança para com as legítimas aspirações dos docentes.

"O modelo existente no ensino particular, sem quotas e que foi tomado como referência, parece estranhamente ignorado.

 

As quotas - ao contrário do modelo ainda vigente - poderão ser alargadas a TODOS os escalões, estrangulando (ainda mais) a carreira docente, degradando-a a níveis nunca imaginados.

 

A obsessiva e desproporcionada carga burocrática mantém-se (com o Relatório de Autoavaliação), a que se soma o requinte do "Projecto Educativo do Professor", imposto pelo "eduquês" em tempos diabolizado mas sempre prevalecente.

 

A avaliação pelos pares é para manter. Agora com a inflamável nuance de ser assegurado por professores da escola ao lado.

 

A dimensão formativa da avaliação docente, priorizada pelos países nórdicos a que muitos recorre(ra)m para defender dislates vários nesta matéria, terá sido cuspida para as urtigas.

 

Se calhar, o monstro do Ministério da Educação estará a implodir Nuno Crato. O que ontem foi anunciado coloca os sindicatos dos Professores - na ausência de uma regulamentação que expurgue do novo modelo as maleitas que sustentam o gangrenoso clima de guerrilha entre a tutela e os docentes desde 2005 - na posição de OBVIAMENTE recusarem a proposta ministerial.

A materializar-se, mais do que uma evolução na continuidade, este modelo significaria um GRAVE retrocesso, a todos os níveis, lesivo do interesse público.

Enfim, o que parece desenhar-se consubstancia uma quebra insanável dos compromissos eleitorais assumidos pelos dois partidos da coligação governamental, que ameaça a paz e a estabilidade nas escolas. Ontem, ter-se-á atirado gasolina para a fogueira. E isso era escusado.

 

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